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Hype, totalmente sem escalas

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não é difícil gostar de Jason Reitman. Nerd, fã de cultura pop, diálogos maneiros, é quase como se (boa parte de) nós tivesse um representante na indústria do cinema. Ao passo que não é difícil gostar de Up In The Air. Nerdices, diálogos maneiros, cultura pop, roteiro que aflora o lado anti-social presente em (boa parte de) nós. Está tudo ali, super bem amarrado e engendrado numa ótima atuação do simpático George Clooney. Terceirizado na função de consolar pessoas demitidas ao longo do país, seu mote é viver apenas com relações ocasionais, entre viagem e outra, sem afeição, e com um objetivo específico: acumular milhões em milhas aéreas. Mas, não se engane: este é puro escapismo de roteiro nerd-obssessivo, não exatamente o plot central.



Vale lembrar a você de Obrigado Por Fumar, um propagandista da indústria do cigarro convicto na ética da profissão. Ou Juno, garota grávida bem resolvida em querer dar sua criança para adoção. Reconhecemos um padrão aí, para Reitman todo mundo é um outsider que contraria a lógica com idéias meio idiotas e que você ainda deve ter simpatia. Nenhum erro em possuir um padrão, alguém pode até considerar isso, digamos, seu estilo (e Juno ganhou até Oscar de roteiro original, escrito por Diablo Cody, e Up in The Air faturou o Globo de Ouro de melhor roteiro, do próprio Reitman). O problema é que algumas semelhanças são bastante grotescas entre os filmes, e com resultados infelizmente clichês. Porque embora apresente todo um aspecto cool e inédito nas histórias, tudo acaba sempre do mesmo jeito, um que você deve (e vai) saber qual. A impressão é que até o diretor parece se dar conta, no meio do caminho, que seus personagens são bem rasos, com objetivos canhestros demais pra preencher um filme. Ainda que, justiça sendo feita, seja seu melhor longa até aqui, um QUASE não-clichê. up-in-the-air-1 Claro que a luz do bom entretenimento, Up In The Air está acima da média, muito mais pelas boas intenções percebidas, do que verdadeiramente a sua execução. Ele explora a ironia das relações, tem sacadas divertidas, possui até mesmo conflitos interessantes (como a discussão entre Clooney e sua assistente, a atriz Anna Kendrik, sobre a existência do amor – nada que não tenha se visto melhor em 500 Dias com Ela). No fim, é um filme que sabe até ser tocante, com boa trilha e fotografia linda extraída de aeroportos e tudo. No fim, ele é mesmo um trololó metidinho sobre amor – e o nome em português, Amor Sem Escalas, faz todo sentido. Todos seus equívocos estão na falsa idéia de que ele é fundamental, é como se a indústria da música trouxesse para a do cinema uma de suas piores manifestações: o hype. Apenas não acredite. Up In the The Air não é tão bom quanto vão te dizer que ele é. Nem tão ruim quanto eu possa te convencer que ele é.


1 comentários:

  1. Gabi disse...

    ótima dica

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